Imagine um guerreiro antigo que treinou desde seus 6 anos de idade para lutar com espadas. Com 20 anos de idade, esse guerreiro é imbatível na luta! Seus adversários caem um após o outro. Os inimigos o respeitam, observam sua habilidade e treinam para enfrentá-lo. Até que começam a notar suas fraquezas. Ele é finalmente morto dentro de uma carruagem. Lá ele não podia usar sua espada!

Esse guerreiro foi excelente, como não podia deixar de ser, na habilidade com a espada. Era tão bom que nem precisava treinar muito com facas, arco e flecha etc. Teve muito sucesso com sua especialização. Habituou-se tanto que hoje tem uma perigosa tendência de escolher sempre a espada.

Este guerreiro pode ser você! Há um pouco dele em cada um de nós. Desde os 6 anos de idade treinamos alguma maneira de sermos aceitos e conseguir o que queremos dos outros, do “mundo”. Nos especializamos com uma espada. Sabemos usar outras “armas”, porém sempre temos tendência a escolher aquela com a qual nos sentimos mais seguros, principalmente em situações críticas.

Assim, uma pessoa pode decidir “treinar-se” no uso da “verdade” ela sempre vai buscar a verdade, esclarecer e deixar as coisas “transparentes”. Isso funcionou na família, e continuou funcionando na escola e com os amigos. Ela passou a ser respeitada e conseguiu vencer. Isso é bom e importante. Acontece que esta é a única habilidade que ela resolveu desenvolver. Um dia ela descobre que a verdade é relativa. Depende do contexto, da situação no tempo e no espaço; como parece ter dito Ghandi: “Sou coerente com a verdade e, como a verdade muda, reservo-me o direito de ser incoerente”. Neste momento essa pessoa começa a ficar insegura, não sabe lidar com aquilo que considera mentira.

Essa metáfora nos ajuda muito na compreensão do que um conhecimento, chamado Eneagrama, pode nos ensinar. O Eneagrama pode nos ajudar muito a descobrir qual foi a “habilidade” que decidimos desenvolver para lidar com a vida. Essas habilidades acabaram se tornando compulsões de comportamento, maneiras “mecânicas” e limitadas de encarar o mundo e os relacionamentos.

As idéias são tão antigas que já foram abordadas pela maioria das grandes religiões. As habilidades que escolhemos relacionam-se diretamente com paixões humanas bem conhecidas e divulgadas, às vezes até deturpadas, ao longo do tempo.

Segundo o Eneagrama, existem 9 (do Grego: Enea = nove; grama= traço, ponto) paixões ou fixações. Temos todos um pouco de cada uma delas, dependendo da situação. Porém, cada um de nós escolheu e desenvolveu uma delas como “espada”. Inicialmente foi uma virtude que escolhemos para conseguirmos ser amados e aceitos. Com a compulsão no uso, nasceu um lado negativo, vicioso. Como a referência a esse resultado negativo é mais comum, talvez até por serem tradicionalmente conhecidos, eles estão listados abaixo. Simplificando, cada um corresponde a um tipo de personalidade (“ego” ou “fixação do ego”). Por exemplo, a paixão do E1 (tipo 1 do Eneagrama) é a perfeição que, por não ser possível, gera resentimento ou raiva (ira). É importante notar que em cada caso, a “contra-paixão”, se equilibrada, é natural. Assim, a raiva, em si, é natural, porém a raiva constante e reprimida gera frustração consigo mesmo e com o mundo.

IRA – Ela nasce da busca da perfeição. Ficamos com raiva por tudo não ser perfeito. Buscamos a perfeição em nós e nos outros como o bem maior. Assim, o E1 é minucioso, cuidadoso e crítico.

ORGULHO – Ele nasce do esquecimento das nossas necessidades. Queremos ajudar, ser bons, não precisamos de nada. Não sabemos nem pedir. O E2 é prestativo, compreensivo e paciente em aguardar o sucesso.

VAIDADE – Nasce do desejo de sermos admirados pelo que fazemos. Nem sabemos quem somos, sentimos que os outros só nos amam se temos sucesso. O E3 é a imagem do sucesso, e demonstra.

INVEJA – Nasce porque percebemos a beleza nas outras pessoas e não conseguimos perceber a nossa. Somos sensíveis, profundos e invejamos a “beleza” dos outros. O E4 é “diferente”, vive no passado.

AVAREZA – Nasce porque temos medo de perder o que temos e ficarmos vazios. O que temos é precioso; conhecimento, afeição, não só dinheiro. O E5 é solitário, estudioso, técnico e observador.

MEDO – Nasce porque percebemos o mundo como um lugar cheio de perigos e de conspirações. Se não nos dizem algo, deve ser porque tem algo que pode nos ameaçar. O E6 é desconfiado, leal e vigilante.

GULA – Nasce do medo da “abundância” acabar. Como somos especiais, merecemos mais de tudo que é bom. A comida é o item mais mal interpretado neste caso. O E7 é genial, é o máximo!

LUXÚRIA – Nasce da nossa necessidade de adrenalina. Queremos ser notados, respeitados. Queremos controlar tudo e todos. O E8 é confrontador, defende os fracos, vê as pessoas como alvos.

INDOLÊNCIA – Nasce de nos sentirmos completos. Se estivermos em harmonia com o universo sempre alguém cuidará de nós. O E9 é mediador, evita confrontos, todo mundo se preocupa demais!